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A pedagogia da vida na prática
#023 - O que aprendi com problemas do carro na oficina
Quarta-feira, 24 de janeiro de 2025 às 19:26.
Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.
A vida é toda pedagógica

Acho que todos concordariam que a vida ensina lições. Porém, o que aprendi com a Lucia Helena Galvão é que não é uma ocasionalidade, não é uma coincidência ou algo que simplesmente acontece sem propósito.
A vida é pedagógica pois esse é o propósito dela. Segundo a Lucia Helena, se houvesse um só pedaço da vida que não ensinasse nada ele seria retirado, pois não teria propósito. O propósito da vida é nos ensinar. Quando encaramos a vida com essa visão de aprendiz começamos a observar os sinais e os pontos que precisamos desenvolver.
A linguagem dos sinais
Segundo a Lucia Helena Galvão a linguagem da vida é a linguagem dos sinais, e saber reconhecer esses sinais é saber conversar com a vida. Ou seja, a vida nos dá sinais e pistas dos caminhos a seguir e nosso papel é caminhar na direção da nossa evolução.
Acho isso incrível, é como se desvendasse a chave do mistério da vida. Então, se aprendermos a ler os sinais aprenderemos a cumprir nosso propósito e sermos a melhor versão de nós mesmos? Por que não se ensina isso na escola? Me parece que é a coisa mais importante a se aprender!
Como aprender a ler os sinais? Como diferenciar ruído de sinal?
Compartilharei um caso prático com aprendizados.
Os sinais da vida através do carro antigo
Se quiser ir direto ao ponto e pular a história detalhada, o resumo é que tive problemas recorrentes com o carro, e isso acendeu um alerta em mim sobre o que precisava aprender com essa lição da vida.
Se tiver paciência e interesse, vou desabafar a história completa. Se quiser ir direto ao ponto, pule para o próximo título.

Nosso carro no reboque
Era um sábado por volta de 13h, estávamos indo ao chá de revelação de um amigo (aquele que se descobre se o bebê é menino ou menina). O ar condicionado parou do nada, nesse calor de quarenta graus do Rio de Janeiro. Achei estranho e logo fui abrir os vidros para entrar um ar. As janelas também estavam fracas. “Algum problema elétrico” - pensei - , mas de resto tudo normal. Ao passar no pedágio da linha amarela e reduzir a velocidade os ponteiros ficaram desregulados e o carro morreu de vez.
Uma grande frustração, pois o carro tinha saído da oficina 20 dias antes, e eu pedi duas vezes para que a pessoa olhasse tudo. Eu fico realmente irritado com esse assunto de oficina, pois parece que não dá para confiar em ninguém. A frustração aumentou pois era o início das férias, fora os gastos que teríamos…
Acionamos o reboque do seguro, agradeci a Deus por ter tido a pane em um local seguro também, imagine parar em um túnel ou local perigoso com as crianças e Julia no carro? Theo acabou se divertindo de passear de reboque e voltar de táxi.
Como era domingo, precisei acionar o reboque novamente na segunda para levar à oficina. O orçamento veio dias depois com mais de R$6500 de serviços! “Um absurdo” - pensei. Só o alternador era R$2600 e na internet a média de preços era R$900. Em paralelo já estava vendo com outras oficinas e tomei coragem de pedir outro reboque (do meu bolso dessa vez) para tirar de lá e ter outra opinião.
Na nova oficina o dono ficou mais de uma hora medindo a tensão e concluiu que o alternador estava bom, que o problema era a bateria mesmo. COMO ASSIM? A pessoa me cobrou quase R$3.000 por algo que está bom? Um roubo…
Como sempre atento aos sinais da vida pensei qual lição eu estava precisando aprender com essa pane. Será que nos livramos de algo ruim na estrada? Será que é um sinal sobre o carro que preciso resolver? Na época pensei que estava testando a minha disposição com a amizade desses amigos (pois voltamos no evento ao final do dia!) ou era um recado para resolver logo a correia dentada do carro, que eu estava enrolando.
Mandei trocar a correia então, para garantir e entender o recado da vida. Se a correia arrebentasse o estrago seria bem maior!
Para minha surpresa, na oficina viram que o serviço que achei que tinha feito para resolver um vazamento de óleo não foi feito (em outra oficina). Descobriram outro ponto de vazamento ainda.
A minha história com oficinas é longa, já passei por quatro e não ponho minha mão no fogo por nenhuma. As que já demonstraram ser confiáveis uma vez fazem besteira em outra…
Pix feito, história resolvida, com direito à prevenção da correia, que havia entendido era o recado que eu precisava ouvir da vida.
Vinte dias depois, de novo em família, prestes a sair para ir à Barra da Tijuca na casa do meu irmão percebo o carro esquentando. Ora, não deve ser nada, mas por via das dúvidas vou verificar o óleo. Para minha surpresa no nível mínimo, o que representa um perigo. Estava incrédulo com isso, não é possível que teria que levar na oficina de novo!
Mais um transtorno, mais um pix, mais histórias mal contadas na oficina…
O que a vida queria me ensinar?

Esse momento de buscar ler sinais pode ser confuso, os sinais não são óbvios, mas é importante estar atento. Ficamos nos perguntando o que precisaria aprender com essa lição.
Conversei com a Julia e ambos pensamos na mesma coisa - ambição!
Esse carro nem é meu ainda, é um Honda Civic 2003 (tem 22 anos) que está no inventário ainda não finalizado do marido da avó da Julia. Carro parado dá problema, e precisávamos de um carro quando o Theo nasceu, então ficamos cuidando dele e rodando enquanto não conseguia vender oficialmente.
Já estava certo de comprá-lo quando liberassem. Tem banco de couro, é automático, é antigo mas chama atenção pois é pouco rodado, e caberia no nosso bolso.
Nós dois somos muito conservadores financeiramente, não fazemos dívidas, pago o possível à vista, busco economizar ao máximo e ter reserva. A ideia de gerar dívidas e não conseguir pagar me apavora. Porém, dessa vez, parece que a vida estava gritando comigo para não se acomodar e buscar um carro melhor, mais novo e mais seguro para nossa família.
Decidimos não ficar com ele, e iniciamos os planos para comprar um mais novo, com uma carta de consórcio que já tínhamos iniciado.
Porém, isso tudo é abstrato: Como saber o que é ou se é realmente um sinal? Como entender e ler os caminhos? Eu achei que era a correia dentada, mas pelo visto é outra coisa. Ou posso me enganar novamente…como aprender cada vez mais a ler os sinais da vida?
Como ler a vida e diferenciar ruido do sinal?

Primeiro, ter a consciência de que a vida está falando com você. Acreditar nessa pedagogia e estar aberto a aprender e evoluir. Não basta compreender, precisa de disposição com sua própria evolução, estando aberto a levar para o dia a dia.
Observe atentamente seu dia-a-dia, especialmente aquilo que irrita você. Se chegou a irritar é um sinal de que a vida já está começando a “gritar”, e não olhar para isso pode piorar as coisas, afinal a vida torce pelo nosso sucesso, nossa melhor versão. A linguagem da vida começa com uma “coincidência” leve, mas pode ir aumentando o “volume” até reconhecermos o que precisamos aprender, podendo chegar a grandes crises.
Aprendi com a Lucia Helena também que um sinal claro é algo que nos direciona para a evolução humana e não o contrário. Ela dá exemplo de uma pessoa que busca emprego e recebe uma ligação, mas vê borboletas amarelas e acha que é um sinal para não aceitar. Segundo ela isso é preguiça apenas, não é um sinal. Com relação ao caso do carro a minha bicicleta quebrou com as crianças em cima e precisei parar para consertar. “Coincidentemente” foi na frente de um taxista que tinha um carro que eu estava buscando. Pensei se isso era um sinal para comprar aquela marca, mas logo descartei, a vida não quer que a Chevrolet aumente sua receita ou que eu tenha algo “específico”, ela quer elevar meus valores.
Ao reconhecer um sinal e pensar uma ação, ela precisa ser um pouco desconfortável. Me lembro no exemplo do carro que eu achei que tinha uma carta de crédito de R$60mil reais, mas na verdade era R$40mil. Pensei, ok, vou fazer o possível dentro desse teto, afinal já tenho esse boleto chegando todo mês, cabe no orçamento. Porém, veja que coisa sutil, percebi que estava na minha zona de conforto e não na zona de coragem, que é onde os aprendizados acontecem. A ação de aprendizagem da vida precisa doer, precisa ser contraintuitiva às vezes com suas crenças, afinal toda evolução vem de uma dor. Foi desconfortável, mas decidimos seguir o plano de investir mais, afinal essa era a lição, ter mais ambição, acreditar mais na incerteza do futuro.
Acredito que estudar por conta própria é importante. Isso pode fazer sentido para mim, mas você pode dar outro sentido ou achar outros caminhos, não nascemos sabendo viver, precisamos aprender a navegar pela vida. Os sinais não são óbvios, eu achei que era um e depois encontrei outro, quem sabe me engano e daqui a pouco encontro outro caminho.
Esses foram os aprendizados até agora, pode ser que me surpreenda com outros caminhos e continuarei compartilhando.
Resumo das dicas práticas do que aprendi com esse e outros casos
Tenha consciência que a vida é pedagógica, torce pelo nosso sucesso e se comunica por meio de sinais;
Tenha disposição interna com sua evolução, estando aberto verdadeiramente a aprender;
Observe atentamente seu dia-a-dia, especialmente o que irrita, pois a vida já está “aumentando o volume”;
Busque sair da zona de conforto ao agir, entrando na zona de coragem e aprendizado - tem que doer um pouco;
Os sinais buscam a elevação do ser humano por meio de valores e não um capricho humano por algo específico;
Como não há gabarito, busque seu próprio caminho e conclusões, somos parceiros nessa jornada, não há verdade absoluta;
Fez sentido? Tem opinião ou alguma experiência a compartilhar sobre isso?
Um abraço,
Pedro.
Referências citadas:
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